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terça-feira, 2 de abril de 2013

Pesquisa coloca João Pessoa entre as cidades mais armadas do país


Pesquisa coloca João Pessoa entre as cidades mais armadas do paísImagem (Jornal da Paraíba)
A microrregião de João Pessoa foi apontada como a segunda maior em número de armas de fogo no Brasil, conforme pesquisa divulgada na manhã de ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). O ranking do Mapa de Armas de Fogo nas Microrregiões Brasileiras, que classificou a capital paraibana, teve como referência o ano de 2010 e foi elaborado a partir do contingente populacional, nas cidades com mais de 100 mil habitantes, e a taxa de homicídios registrados no período. Entre as 20 microrregiões com maior prevalência do objeto, as cidades paraibanas de Sapé e Catolé do Rocha também foram listadas.
De acordo com a pesquisa, para a contagem das armas de fogo, foi utilizada a proporção de suicídios e homicídios pelo instrumento em relação ao total ocorridos na localidade.
Conforme informações do documento, a proporção foi adotada em virtude da grande dificuldade em analisar o efeito da difusão das armas de fogo nas cidades, no que diz respeito à inexistência de informações precisas sobre este indicador, ou seja, armas legais ou ilegais.

Ainda no ranking das 20 microrregiões com mais armas de fogo no país, 13 estão localizadas no Nordeste, e João Pessoa ficou atrás apenas da microrregião da cidade pernambucana de Itamaracá e se classificou à frente de outras localidades nordestinas como Ceará, Alagoas e Bahia. O estudo, que objetivou discutir se as armas de fogo estimulam (ou desestimulam) crimes violentos e crimes contra a propriedade, listou ainda 20 microrregiões com menos armas de fogo no Brasil e nenhuma cidade paraibana aparece neste segundo grupo.
A pesquisa mostra que comparando as listas das microrregiões com maior e menor prevalência de armas de fogo, em 2010, a taxa de homicídio média do primeiro grupo é 7,4 vezes maior do que no segundo grupo. Enquanto a taxa média no primeiro grupo foi de 53,3 homicídios para cada cem mil habitantes, a do segundo grupo foi de 7,2. Segundo o estudo, há evidências que a propagação da arma de fogo concorre para o aumento da taxa de homicídios nas localidades e não possui efeito sobre a taxa de crimes contra a propriedade.
O Mapa destacou ainda que a maior parte das localidades com maior difusão de armas de fogo se encontram no Nordeste, para onde a violência letal migrou de forma mais acentuada na última década. De acordo com o professor de Ciências Políticas e pesquisador do Núcleo de Violência da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), José Maria Nóbrega, a região Nordeste é a que apresenta o maior índice de assassinatos do país, com 18.867 mortes registradas em 2010, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
"Hoje nós temos, em números absolutos, que a região Nordeste é onde mais se mata no Brasil. E nesta pesquisa, João Pessoa saltou, em dez anos, da 15ª colocação, para a segunda. A arma de fogo é uma variável importante, mas não determina a quantidade de homicídios. A violência também está relacionada a uma série de outros fatores, e a falta de políticas públicas para a segurança é uma delas", defende o pesquisador.
Ainda conforme a análise do professor José Maria Nóbrega, o aumento dos homicídios ficou mais acentuado no Nordeste a partir de 2006, enquanto que no Sudeste, a quantidade de crimes desta natureza diminuiu. Este quadro pode estar relacionado aos efeitos do Estatuto do Desarmamento (ED), lançado em 2003. Conforme o Mapa de Armas de Fogo, o ED produziu efeitos significativos para fazer diminuir a difusão de armas de fogo no Brasil e, consequentemente, a taxa de homicídios, contudo, isto não se deu de forma homogênea no país.
"O Estatuto do Desarmamento aparece mais como um discurso ideológico do que como uma política séria de Segurança Pública. O que a gente percebe é que faltam políticas públicas na Paraíba e no Nordeste, que proporcionem melhorias no funcionamento dos inquéritos, nas promotorias, na atuação dos policiais. O estado da Paraíba não tem um Conselho de Segurança Pública e não discute o assunto com a sociedade", critica José Maria. 

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